Hoje, 18 de junho de 2012, foi o primeiro dia do XVII Congresso
Brasileiro de Arquivologia. Iniciamente, percebemos o quanto esta área é
pequena em contingente profissional, haja vista, no congresso, ter mais
ou menos 100 ou 120 pessoas e isso estou aumentando um pouco para não
ser injusta.
Neste primeiro dia, a minha maior intenção era participar da Reunião
do Fórum de Ensino e Pesquisa em Arquivologia, a qual teve lugar no
Arquivo Nacional do Rio de Janeiro. Ao chegarmos no Arquivo Nacional,
logo encontramos uma placa e um grupo de três profissionais do arquivo
que estavam paralisados, hoje, para conseguir melhores condições de
trabalho e salário. A reunião, marcada para ter inicio às 9h30, teve
inicio às 10h30.
Na reunião, falou-se da criação dos Cursos de Pós-Graduação Strictu Sensu em Arquivologia e que já está bem organizado pelos arquivistas. Além disso, buscam a criação de uma entidade nacional de ensino e pesquisa em Arquivologia,
nos moldes da ABECIN, o que nos fez perceber, até mesmo pelos discursos
dos profissionais da área, que eles não se consideram Ciência da
Informação e que a Biblioteconomia e a Ciência da Informação são a mesma
área de conhecimento. Outra questão colocada foi a criação de um GT de
harmonização curricular- “antecedentes, situação atual e perspectivas”.
A III REPARQ- 3° Reunião de Ensino e Pesquisa em Arquivologia ocorrerá no segundo semestre de 2013. Citou-se a necessidade da criação da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia.
Esta, envolve a formação na área e a inserção em demandas políticas,
além da criação de vários eixos para o ensino e a pesquisa em
Arquivologia. Portanto, as Associações Profissionais são fundamentais,
mas não anulam as associações de ensino. Além disso, visam à criação de
um GT para propor uma nova lei do arquivo e um novo Conarq. Além disso, a
Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia vai tratar
do ensino e da pesquisa especificamente, além de conseguir
respeitabilidade para a Arquivologia.
Há 16 cursos de Arquivologia no Brasil e busca-se: 1) harmonização
para o contexto da mobilidade acadêmica; 2) revisão curricular; 3)
desenvolver metodologias para elaboração de currículos, a fim de se
construir um perfil mínimo que possa servir de base para as revisões
curriculares em desenvolvimento e futuras; 4) ver qual é o núcleo duro e
considerar as especificidades e os núcleos de formação específicas e
complementares.
Ver a integração entre Biblioteconomia e Arquivologia (esta é a fala
de um dos professores) levando em conta: O núcleo comum: 1) Fundamentos
Teóricos da Informação; 2) Organização da Informação; 3) Políticas
Informacionais; 4) Gestão de Unidades de Informação; 5) Preservação; 6)
Aspectos Legais dos Processos Informacionais; 7) Serviços de Referência e
Informação; 8) Ação Cultural em Unidades de Informação. Este
núcleo-comum é baseado no documento-base da UNESCO. O diálogo entre a
Biblioteconomia e a Arquivologia é importante.
Vão iniciar o Mestrado em Arquivologia, na UNB, o qual já está
aprovado, em formato strictu sensu e o canal já foi aberto na CAPES.
Caso a CAPES não aceitasse o Mestrado em Arquivologia,
na grande área da Ciência da Informação, eles passariam a proposta para
ser aceita na área Interdisciplinar. O curso começa em agosto e se chama
“Mestrado em Gestão de Documentos e Arquivos”.
A Arquivologia não tem a cultura da pós-graduação na área, e o
mestrado terá três grandes disciplinas: Metodologia da Pesquisa em
Arquivologia; Perspectivas da Arquivologia Contemporânea e Arquivologia e
Gestão.
Na UNESP se fez a revisão da matriz curricular da Arquivologia. Eles
têm cinco linhas de pesquisa na graduação e três na pós-graduação e
querem uma linha para Arquivologia na Pós-Graduação em Ciência da
Informação. O crescimento da Arquivologia na UNESP é dialogar com a CI. O
TCC deles é tanto para formar o pesquisador, quanto para fazer projetos
para o mercado.
Os programas de Pós-em CI podem dialogar mais com os cursos de
Museologia e de Arquivologia, mas as especificidades dessas duas áreas
não aparecem na descrição das linhas de pesquisa dos mestrados e
doutorados em CI. Nesse sentido, afirmou-se que o debate político
existe, mas que falta o debate epistemológico. Portanto, é necessário
que a Arquivologia tenha bastante produção científica, como a
Biblioteconomia, a fim de ter força de produção e lutar para deixar de
ser área subordinada à CI. Cada uma- Biblioteconomia, Arquivologia e
Museologia- deve ter seus eventos, suas pesquisas na graduação e na
pós-graduação, pois a Ciência da Informação “não nos representa” (fala
de um dos participantes) e no ENANCIB não se discute Arquivologia.
NECESSIDADES:
1) Fazer o balanço da LDB; 2) Estudar as Diretrizes Curriculares
Nacional para a Arquivologia; 3) Elaborar estudos comparativos dos
currículos de Arquivologia; 4) Definir equivalências entre disciplinas
(denominação, ementa e carga horária); 5) Esboçar um perfil mínimo de
currículo; 6) Precisa de mais projetos de pesquisa para a harmonização
curricular e cotejar isso no âmbito das Diretrizes Curriculares
Nacional; 7) trabalhar bem o tronco comum entre as 3 áreas; 8) tronco
comum de dois anos; 8) vê o que é específico a partir das DCN’s.
Quais as habilidades e competências para o arquivista hoje? Como isso
se expressa na LDB, na Lei de Regulamentação das profissões e nas
diretrizes curriculares do MEC? Como elas podem definir o núcleo duro da
Arquivologia. Isso deve ser olhado na perspectiva da universidade e não
do mercado.
Analisar as 16 escolas com as ementas e chegar num quadro de
equivalências com denominações de disciplinas. Colocar ementas com carga
horária- essa é uma demanda de pesquisa (fala de um professor da UFMG).
Nossa conclusão: Shakespeare explica melhor: “Ser ou não ser!”…
Uma coisa é certa: a pesquisa mote do momento é a educação dos profissionais da informação.
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