Dia da apresentação do meu trabalho. A semana parece ter servido para
me deixar em crise identitária com tantos prós e contras, com tantos
partidários e tantos opositores em relação à Biblioteconomia. Estava a
cada dia parecendo mais um campo minado e o pior, eu ia falar de
aproximar as áreas de conhecimentos: Arquivologia, Biblioteconomia e
Museologia. Uma coisa é certa: eles defendem a ideia de a Arquivologia
ser uma ciência ela mesma e não precisar do suporte da Ciência da
Informação; por outro lado, não se pode constituir como campo científico
de forma isolada, daí a necessidade de ela se aproximar das pesquisas
do campo da Ciência da Informação, que já nasceu ciência.
Pois breve, fui somente a tarde mesmo. Assisti alguns trabalhos
anteriores ao meu que se intitulava: “A aplicação do princípio de
proveniência no Brasil”; “Rio Grande e seus espaços de memória: a
construção do guia de acervos documentais da cidade do Rio Grande” e
“Tratamento técnico como forma de preservação do patrimônio arquivístico
do estado do Pará”. Todos discussões bem interessantes, mas a maioria
estudos de casos, não epistemológicos. O meu ia mais na linha da
epistemologia, desse terreno tão minado e pedregoso que são as Ciências
da Informação. Meu trabalho se intitulava: “Arquivologia,
Biblioteconomia e Museologia: aproximações e afastamentos nas diretrizes
do MEC”.
Num primeiro momento, mas no último também, caras retorcidas como se
eu estivesse falando uma coisa do outro mundo. Até comentários de “quem
ela pensa que é para falar isso” se escutava nos corredores. Outros
apenas se calaram, mas, discutir, que é bom, ninguém buscou. Fico
pensando que a Biblioteconomia/Ciência da Informação é muito mais
“democrática”, busca muito mais congregar do que separar. E não falo
isso porque sou da área da Biblioteconomia e da Ciência da Informação,
mas porque foi o fato vivenciado.
Querem um exemplo? Conheci uma colga que terminou Biblioteconomia, e
que faz Arquivologia em uma das universidades do Rio de Janeiro, chegou
no congresso com uma blusa da Biblioteconomia. Resultado: as pessoas
ficavam perguntando porque ela tinha ido com aquela blusa… tamanha
infantilidade. O mais engraçado é que até o pessoal que terminou
“Astrofísica do Planeta Marte” está trabalhando nos arquivos, até porque
“é só dar um treinamento mesmo” (fala que escutei de uma pessoa que
trabalha em arquivo público e que não é Bacharel em Arquivologia), mas
quando se fala de aproximar com a área da Biblioteconomia é como se
tivesse se falando do Armagedon…
É isso gente. espero que tenham gostado. Ainda se tem muito a discutir.
Hoje saí um pouco com uma colega do congresso, mas estava deveras
cansada; preferi voltar cedo pra casa e atualizar o blog. Até o próximo
post (os quais serão com as fotos do congresso).
Blog sobre Biblioteconomia e Ciência da Informação e áreas afins.
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