Hoje, 19/06/2012 comecei a acostumar-me com a dinâmica do Rio de Janeiro. Estar um pouco distante (a 20 minutos) do local do evento tem suas vantagens, pois a gente acaba se aventurando e, para quem mora em São Paulo, tudo até parece mais perto e tranquilo. Agora, é só pegar o mapa da cidade e do metrô que chego em qualquer lugar! Sem dificuldade alguma desde ontem fazendo tudo sozinha.
Hoje participei do Seminário de Documentos Eletrônicos. A primeira fala foi do Diretor de Tecnologia e Informação do Arquivo Nacional do Reino Unido, david Thomas, cujo título da palestra era: New universes or black holes? Does digital change anything? A palestra tratou da preservação digital a partir da Biblioteca Britânica. Afirmou que a informação do disco de um computador deve ter vida curta e o desafio dos arquivistas é lidar com a velocidade. Por exemplo, daqui a cem anos um CD-ROM talvez não seja mais rodado. O palestrante pergunta: como a Library of Congress pode preservar seus documentos?
O que está em jogo são as perdas de dados, transmissão de ideias e conhecimentos. Deve-se desafiar a visão tradicional de preservação, pois, é a partir dela, que os governos criam vários volumes de informação que podem se perder. Portanto, o palestrante indaga: “De onde vêm os registros digitais?” Sua resposta afrima que vem dos arquivos de web sites. Esses arquivos da Internet têm 15 bilhões de quiometros de extensão e estamos rumo a uma era negra de armazenamento de arquivos. Os Arquivo Nacional da Biblioteca Britânica, todos os seus registros de papel foram digitalizados. O custo do armazenamento do papel foi muito grande e o registro digital auxilia na preservação.
Mas, quais são os motivos para digitalizar? Em primeiro lugar, porque temos empresas que visam ao lucro e esses registros são importantes, portanto, temos que pensar na digitalização em escala mundial. Temos a capitalização de vários arquivos, que são feitos considerando os assinantes de várias bibliotecas. Web Sites de histórias familiares, além de editoras como a Proquest que digitalizam seus próprios arquivos para preservação.
Além disso, existem os arquivos que já nascem digitais, como, por exemplo, os registros das bombas de Londres em 2005. Há várias listas de registros digitalizados na Grã-Bretanha: jogos olímpicos, domésticos, nacionais, etc. Todavia, a informação digital pode durar para sempre, ou, por cinco anos. A padronização oferecida pela Microsoft ou Unix são boas, mas podem ser perigosas para a preservação. Os poucos espaços de registros da web, na verdade, é a preservação de materiais que podem ser perdidos no futuro. Quais são os riscos da continuidade digital: 1) perdas de dados ao se transferir de um sistema ao outro; 2) problemas de datas, pois mudam não preservando a data original, etc.
A segunda palestra do dia foi do Prof. Luiz Fernando Sayão, da ComissãoNacional de Energia Nuclear e Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos e intitulava-se Repositórios Digitais: interoperabilidade, confiabilidade, curadoria e acesso. Nesta palestra, o professor afirmou que a tecnologia digital tem o potencial de tornar as obras culturais, artísticas e científicas significantes para a humanidade e, permanentemente preservadas e acessíveis para milhões de pessoas. Portanto, a agenda deste momento é: 1) a construção de espaços de memória; 2) preservação/curadoria; 3) interoperabilidade; 4) novos documentos; 5) acesso; 6) autenticidade.
Como a gestão dos objetos digitais pode garantir o acesso hoje e no futuro? A nossa questão é a gestão. Acessar sem conseguir a significação, não é acesso.
Memória digital. Os repositórios digitais hoje são os responsáveis pelo acesso e segurança digital. Há várias modalidades de repositórios, mas como atribuir confiança a esses repositórios? As bibliotecas, os arquivos e os museus são confiáveis, mas as informações digitais, as quais são menos tangíveis, como construir essa confiança? Portanto, não é preciso pensar o acesso sem se pensar o usuário, e a Biblioteconomia tem muito a nos ensinar, pois a gente pouco pensa no usuário. Portanto, o objeto digital é visualizado de diferentes maneiras pela Arquivologia, pela Biblioteconomia e pela Museologia. Exemplos de sites que fazem buscas em todos os repositórios da Europa: DRIVER; e no Canadá: CARLABRC.
Além dessas palestras, na parte da tarde tivemos a apresentação dos seguintes trabalhos, os quais não vou relatar aqui porque estarão nos anais do congresso:
1) O acesso livre à produção acadêmica científica: um estudo de caso sobre a avaliação da usabilidade do Repositório Institucional da Universidade Federal da Bahia. (Gleíse Brandão e Keyla Sousa).
2) O documento arquivístico digital: uma visão jurídica para a Arquivologia. (Leandro Negreiros).
3) A digitalização do acervo bibliográfico Arivaldo Silveira Fontes. (Martha Nunes e Larissa Santos).
4) Revista Ágora: estudo de caso do processo de gestão de documentos em repositório digital OJS/SEER. (Leolíbia Linden e Suéllem Silva).
5) Acervo documental fotográfico do INPE: projeto galeria de fotos. (Marciana Leite Ribeiro).
6) Análise e especificação de requisitos no uso do software livre Ica-Atom. (Bruna Paim e Daniel Flores).
7) Considerações acerca do valor probatório do documento arquivístico digital. (Gracielle Gomes e Wellington Carvalho).
É isso! Agora vou tentar descansar para a maratona de amanhã. Aguardem as novidades.
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